Shiva – Deus da Destruição e transformação

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Na Tradição Védica
(Hinduismo), Shiva é visto como um dos pilares da Trindade Hindu:
Brahma – o Criador, Vishnu – o Preservador, e Shiva – deus da
transformação profunda, deus da destruição para uma renovação,
responsável pela dissolução da Criação.

Naturalmente, a Trindade só executa suas funções com a parceria
de suas devis ou Mães Divinas: Sarasvati – o Conhecimento para
criar, Lakshmi – a Prosperidade para manter, e Parvati ( ou Durga) – a
Matéria para ser transformada.
No Tantra, Shiva é o próprio Criador, o poder manifestador, o soberano de tudo. Unido a sua Shakti (a força da manifestação das formas), Durga – a Mãe do Universo, Shiva, além de criar, mantém, sustenta e transforma a Criação. Shiva não existe sem Shakti, nem Shakti sem Shiva. Contam os Shastras, que certa vez Shiva meditava no Monte Kailasa onde residia com Parvati. Querendo brincar com Ele, Parvati foi lentamente se aproximando e colocou suas mãos sobre os olhos de Shiva, como uma venda.
Imediatamente, todo o Universo mergulhou em escuridão e dissolução, amedrontando Parvati.
Mas, quase instantaneamente, surgiu no centro da fronte de Shiva imensa luz,
como um sol, formando o Terceiro Olho de Shiva, e logo a vida voltou à Terra.

A matéria (Parvati, a Criação) não existe sem a sua essência (Shiva=Parabrahman), seu suporte, sua natureza. Muitas vezes, a matéria, pode obscurecer o verdadeiro sentido e verdade da Criação e, portanto, de nós mesmos individualmente. Mas, se estivermos atentos (Ajña Cakra, o 3º Olho) e firmemente estabelecidos na
busca do autoconhecimento, certamente e rapidamente retornaremos ao nosso equilíbrio e ao nosso objetivo.

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O Deus da Dança – Shiva Nataraja

Shiva Natarája é representado com quatro braços. Na mão direita,
ao alto, ele segura o tambor (damaru), que simboliza o princípio do
som, da palavra; do som vem toda a linguagem, a música e o
conhecimento.
O tambor simboliza também o éter ou espaço, que propaga o som e também o primeiro elemento que surgiu. Na mão
esquerda, ao alto, formando a ardhacandra mudra (mudra da meia
lua), ele tem o fogo como elemento de destruição do mundo, da dissolução da criação. O tambor e o fogo representam o contínuo ciclo cósmico de criação e dissolução.
A mão esquerda à frente traz a gajahasta mudra que descreve, na
dança indiana, a tromba do elefante. A tromba tem a simbologia do discernimento: o elefante sabe exatamente discernir a força que
deve usar quando arranca uma árvore ou quando apanha uma palha
no chão.
No caminho do autoconhecimento é necessário o discernimento para que possamos separar o que é real (absoluto, eterno, verdadeiro) e o que é irreal (relativo, passageiro, mutante).
A mão direita à frente forma abhaya mudra, gesto de afastamento do
medo, da proteção e das bênçãos .
O pé esquerdo levantado transmite ao homem que ele também se
levante a si mesmo na busca de sua Verdade Interior. O pé direito,
neste momento da Dança Cósmica, está apoiado sobre um homem com corpo de criança e rosto de adulto – Apasmara Purusha, simbolizando o ego infantil, a imaturidade emocional, a
irresponsabilidade. Nataraja controla-o.
Algumas representações de Nataraja mostram um círculo de chamas em torno d’Ele, simbolizando a dança da natureza, tendo Shiva, o Próprio Um, no centro. D’Ele tudo emana e n’Ele tudo se dissolve.

Apesar de seu corpo estar em movimento, sua expressão facial é de
serenidade. Isto indica que embora vivendo na agitação do mundo devemos nos manter ligados à nossa Verdadeira e Eterna Natureza interior.
Existem muitas versões a respeito da história de Shiva Nataraja, em
uma dessas versões encontrada nos Puranas, é dito que os rishis questionaram a relevância de Deus argumentando que desde que o
Karma era tudo, apenas a ação tinha importância.
Para remover a ignorância, Shiva tomou a forma de Sundaramoorthy e veio até a vila. Encantadas, todas as mulheres o seguiram. Os rishis, enfurecidos por terem sido enganados e tomados como tolos conduziram, então, uma cerimônia védica para destruir Shiva. Primeiro, do fogo veio o demônio Muyalagan e a dança cósmica teve início. Muyalagan foi preso sob o pé de Shiva e as cobras que vieram do fogo se tornaram a guirlanda de Shiva. Um veado de grandes chifres se tornou pequenino e foi seguro em uma das mãos. A pele
de um tigre foi retirada e usada como sua própria roupa enrolada na cintura enquanto o fogo foi capturado em outra mão. O som do mantra se tornou suas tornozeleiras e então a forma de Shiva
Nataraja se manifestou.
A visão da estátua de Shiva Nataraja provoca um estado de grande
paz interior. Por trás da construção de uma Murti há todo um processo de estudo já que ela deve ser construída baseada em um diagrama de triângulos. Cada parte do corpo de Shiva tem a
necessidade de estar em perfeita conexão pois cada uma tem seu significado.
A mão direita que se encontra mais alta e segura o “damaru”,
significa a criação do universo, já que a criação é atribuída ao som.
Até mesmo na religião cristã encontramos esse princípio, na Bíblia
está escrito que “no princípio era o Verbo” A outra mão direita que
se encontra na direção do ombro está colocada em um gestochamado de “Abhaya” ou – o gesto da proteção – e significa que nada
temos a temer porque somos eternamente protegidos por Shiva. Da
mão esquerda que se encontra mais alta emana o fogo da destruição que significa o poder da transmutação. A quarta mão que se encontra atravessada diante do corpo e aponta para baixo, para o pé de Shiva que esmaga um demônio-anão, tem o significado de dizer “Eu estou aqui para remover a ignorância e oferecer refúgio
para a alma”. O pé que esmaga Muyalagan tem o significado de
manter o domínio sobre a ilusão e o pé que se encontra levantado significa a libertação dessa mesma ilusão que tem o nome de
“maya”.
Shiva Shankara

Shankar é um nome dado a Shiva, na verdade é uma variação do
termo Shankara que significa literalmente aquele que toca a concha.
Hoje pode ser considerado um aspecto que compõe a mitologia hindu. Shiva Shankara é o Shiva meditante,com o colar de rudraksa no pescoço, isolado nas montanhas, sentado na pele de um tigre e que influenciou milhares à terem em seu nome próprio a referencia
de Shiva. Shank significa também concha.
Deus da destruição do Universo, o principal do Xamanismo Ansestral
Em Sânskrito escreve-se Siva, mas se lê Shiva.
O Senhor Shiva é um Deus (“Mahadeva”) Hindu, o Destruidor ou o
Transformador, integrante da Trimurti juntamente com Brahma, o
Criador, e Vishnu, o Preservador. O Senhor Shiva representa o ciclo
completo do processo de geração, destruição e regeneração.
Existem mil e oito nomes nas escrituras védicas para se referir ao
Senhor Shiva, sendo as mais conhecidas:
1. Mahesha,
2. Mahadeva,
3. Pashupati,
4. Nataraja,
5. Shambo,
6. Shankara,
7. Ardhanaríshvara,
8. Rudra,
9. Bhava,
10. Sarva,
11. Ishan,
12. Bhima e
13. Ugra.
No Xamanismo Ancestral, o Senhor Shiva é a figura mais importante,
não apenas por representar o Pai do Xamanismo Ancestral, mas por
possuir essencialmente múltiplas formas e aspectos em um único
poder divino.
Sua simbologia é altamente venerada. O aspecto Shankara é a
forma xamã do Senhor Shiva, que o representa como sendo um
grande índio Hindu e o maior devoto do Grande Espírito, o Senhor
Krishna.
Sua simbologia é representada de diversas maneiras, através de
diversas escrituras e de diversas escolas filosóficas, entretanto, as
características xamânicas do Senhor Shiva mais importantes são
representadas aqui da seguinte forma:
Sentado sob a pele de um Tigre:
O Tigre é o veículo de sua shákti, a Deusa de todas as forças e
poderes. Shiva está além e acima de qualquer força. Sentado sob a
pele de um Tigre, simboliza a vitória sobre todas as forças.
A Serpente Naja sobre o pescoço:
A Naja é a mais mortal das Serpentes. Usar uma Serpente em voltada cintura e do pescoço, simboliza que Shiva dominou a morte e
tornou-se imortal. Este aspecto também dá outro nome a Shiva,
Neelkantha, o Deus que pode beber sozinho a porção da morte e
ficar livre de seus efeitos. Na tradição do Yoga, ela também
representa Kundalini, a energia de Fogo que reside adormecida na
base da coluna. Quando despertamos essa energia, ela sobe pela
coluna, ativando os centros de energia (chakras) e produzindo a
iluminação (samadhi), um estado de consciência expandida.
A Lua crescente em seu cabelo:
A Lua, que muda de fase constantemente, representa a ciclicidade
da natureza e a renovação contínua, a qual todos estamos sujeitos.
Ela também representa as emoções e nossos humores, que são
regidos por esse astro. Usar uma Lua crescente nos cabelos
simboliza que Shiva está além das emoções. Ele não é mais
manipulado por seus humores como são os humanos, ele está
acima das variações e mudanças, ou melhor, ele não se importa
com as mudanças, pois sabe que elas fazem parte do mundo
manifesto. Os mestres que se iluminaram afirmam que as
transformações pelas quais passamos durante a vida (nascimento e
morte, o final de uma relação, mudança de emprego, etc.) não
afetam nosso verdadeiro ser e, portanto, não deveríamos nos
preocupar tanto com elas. Este aspecto significa então, que Shiva
possui o poder da procriação, além da destruição.
O cabelo enrolado no topo da cabeça:
O cabelo enrolado de maneira circular no topo da cabeça significa
que Shiva é o senhor do vento, Vayu, representando o controle da
respiração, o simples ato de inspirar e expirar.
O sagrado rio Ganges nascendo de sua cabeça:
No topo da cabeça de Shiva se vê um jorro d’água. Na verdade é o
rio Ganges ou Ganga, que nasce dos cabelos de Shiva. Há uma
história que diz que Ganga era um rio muito violento e não podia
descer à Terra pois a destruiria com a força do impacto. Então, os
homens pediram a Shiva que ajudasse, e ele permitiu que o rio
caísse primeiro sobre sua cabeça, amortecendo o impacto e depois,
mais tranqüílo, corresse pela Terra.
O tridente (TRISHULA):
O Trishula de Shiva é o símbolo das três funções do Criador
(Brahma), Preservador (Vishnu) e o Destruidor (Shiva). É com essa
arma que ele destrói a ignorância nos seres humanos. Suas três
pontas também representam as três qualidades da existência:tamas (a inércia ou ignorância), rajas (o movimento ou paixão) e
sattva (o equilíbrio ou bondade).
O Touro Branco:
Nandi é o Touro Branco que acompanha Shiva, sua montaria e seu
mais fiel servo. O Touro está associado às forças telúricas e à
virilidade. Também representa a força física e a violência. Montar o
Touro Branco, significa dominar a violência e controlar sua própria
força.
A palavra Nandi significa, “aquele que dá a alegria”. Sua devoção por
seu senhor é tão grande que sempre se encontra sua figura diante
dos templos dedicados a Shiva. Ele está sempre deitado, guardando
o portão principal do templo.
O Lingam:
Também chamado de Linga, é o símbolo fálico de Shiva. Ele
representa o pênis, o instrumento da criação e da força vital, a
energia masculina que está presente na origem do Universo. Está
associado ao poder criador de Shiva. A palavra Lingam significa,
“emblema, distintivo, signo”.
O Lingam é o emblema de Shiva. Na Índia, reverenciar o Lingam é o
mesmo que reverenciar a Shiva. Ele pode ser feito em qualquer
material, embora o preferido seja o de pedra negra. Na falta de uma
escultura, se constrói um Lingam com a areia da praia ou do leito do
rio, ou simplesmente se coloca em pé uma pedra ovalada.
É comum, nos templos, se pendurar sobre o Lingam uma vasilha
com um pequeno orifício no fundo. A água é derramada
constantemente sobre ele numa forma de reverência. A base do
Lingam representa a yoni, o genital feminino, mostrando que a
criação se dá com a união do masculino e feminino.
O tambor Damaru:
O tambor em forma de ampulheta representa o som da criação do
Universo. No Xamanismo Ancestral, como no Hinduísmo, o Universo
brota da sílaba “Om” (AUM). É interessante comparar essa
afirmação com o conhecido prólogo do Evangelho de São João: “No
princípio era o Verbo (a sílaba, o som). E o Verbo era Deus. (…) Tudo
foi feito por Ele (o Verbo) e sem Ele nada se fez”.
É com o som do Damaru que Shiva marca o ritmo do Universo e o
compasso de sua dança. Às vezes, ele deixa de tocar por um
instante, para ajustar o som do tambor ou para achar um ritmo
melhor e, então, todo o Universo se desfaz e só reaparece quando a música recomeça.
Kamandalu:
O vaso de bronze, conhecido como Kamandalu é o repositório onde
Shiva guarda o amrita, a bebida da imortalidade, similiar à
ayahuasca no Ocidente.
O amrita é sempre utilizado entre os xamãs ancestrais em rituais e
pujas (cerimônias de adoração) para se conectar à essência divina e
receber os ensinamentos sagrados de Shiva.
As escrituras sagradas da Índia, os Vedas, afirmam que dentro do
Kamandalu está o néctar divino, o amrita, a bebida da imortalidade,
ou como os cristãos nomearam, “a água da vida”.
Além destes símbolos, uma outra característica física muito
importante de Shiva é o seu “Olho Vertical”, também conhecido
como “Terceiro Olho”. No Mahabharata, o grande épico Hindu, é
narrada a história de como Shiva obteve seu terceiro olho. A história
diz que um dia sua linda esposa, Parvati, colocou suas mãos sobre
seus olhos enquanto Ele meditava, pois toda vez que Shiva fechava
os olhos, o Universo inteiro ficava em total escuridão. Então, através
do toque das mãos de sua esposa que seu terceiro olho se
desenvolveu, dando luz ao mundo. Simbolizando assim, o olho
frontal, o olho de Fogo, o olho da alta percepção. Tendo então três
olhos, Shiva ficou também conhecido como: Tri-Netra, Tri-Ambaka,
Tri-Aksha ou Tri-Nayana.

Fonte: Wikipedia e livros sobre yoga e Ayurveda.

Gratidão
Namaste 🙏 ❤

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